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Um Mérito à Fidelidade

Conta a História que, para perpetuar a lembrança de seu segundo casamento e homenagear, assim, sua jovem esposa, D. Amélia de Leuchtenberg, o Imperador D. Pedro I criou, através do Decreto de 17 de Outubro de 1829, a Imperial Ordem da Rosa. Considerada por muitos a mais bela Ordem honorífica criada pelo Brasil até hoje, a Imperial Ordem da Rosa tem uma origem tão bela quanto sua composição e design.

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Tela em óleo. Dom Pedro I por Simplício Rodrigues de Sá, 1830 (acervo do Museu Imperial, Petrópolis). | Dona Amélia de Leuchtenberg usando um ornamento rosa, autor desconhecido, 1830.

Após a morte de D. Leopoldina, o Imperador decidiu casar-se novamente. Segundo o próprio D. Pedro, sua nova esposa deveria ter pelo menos quatro atributos: ser de bom nascimento, bela, virtuosa e culta. Após várias buscas, D. Amélia, que era filha de Eugênio de Beauharnais (Príncipe Francês, Príncipe de Veneza e Duque de Leuchtenberg) e Augusta da Baviera (Princesa da Baviera) foi a escolhida. A cerimônia de casamento foi realizada por procuração, em Munique, em 02 de Agosto de 1829. A celebração foi bastante modesta, para poucos convidados, já que D. Amélia preferiu doar a um orfanato da cidade a quantia enviada por D. Pedro para uma grande celebração. Ao desembarcar no Brasil, a nova Imperatriz logo se encaminhou à Capela Imperial para que recebessem as bênçãos nupciais em 16 de outubro de 1829, no Rio de Janeiro.

Segundo casamento de Sua Majestade Imperial Dom Pedro I, 1829, Jean-Baptiste Debret.

A Imperial Ordem da Rosa teria sido inspirada em um vestido de D. Amélia. Segundo alguns historiadores, o vestido “inspiração” foi o do retrato enviado ao Brasil para apreciação do Imperador. Já outras fontes acreditam que a Ordem teria sido inspirada no vestido com o qual ela desembarcou no Brasil, a bordo da fragata Imperatriz. Porém não existe comprovação histórica do ocorrido.

Quanto à autoria, existe uma ideia bastante difundida na qual Jean-Baptiste Debret teria assinado o projeto das insígnias da Ordem. Todavia, o projeto é de Eugène de la Michellerie e Pezerat, como demonstrado nos originais abaixo pertencentes ao Museu Imperial de Petrópolis.

Projeto original de Eugène de La Michellerie e Pezerat  (Acervo Museu Imperial, Petrópolis)

A ordem consiste numa estrela de seis pontas de ouro, esmaltada de branco terminadas em esferas, colocada sobre uma grinalda de rosas folhadas e em sua cor. Ao centro, medalhão redondo de ouro com o monograma A P (Amélia e Pedro), circundado por uma orla azul-escuro com a legenda AMOR E FIDELIDADE. No reverso, ao centro, a data 2-8-1829 (dia do casamento em Munique), circundada pela legenda PEDRO E AMÉLIA nos mesmos esmaltes. A Coroa Imperial decora a insígnia, que pendia do colar, da banda (faixa) ou fita na cor rosa com duas orlas em branco. Sendo a cor rosa a preferida da Imperatriz.

Anverso e reverso da insígnia da Ordem. (Acervo do Museu Imperial, Petrópolis)

À esquerda: Colar da Ordem e detalhes dos medalhões anverso e reverso. (Acervo do Museu Imperial, Petrópolis) | À direita: Banda ou Faixa. (Acervo do Museu Nacional Marítimo de Greenwich, Londres)

A Ordem foi entregue em seis diferentes graus, sendo, portanto, a Ordem do Brasil Império que comportava o maior número.

Além de servir como prova do Amor e Fidelidade de D. Pedro para com D. Amélia, a Imperial Ordem da Rosa foi criada com o intuito de premiar militares e civis, brasileiros ou estrangeiros, que se destacassem por sua fidelidade à pessoa do Imperador e por seus serviços prestados ao Estado brasileiro, incluindo pintores, músicos e pessoas ligadas à arte em geral.

Durante o governo de D. Pedro I foram distribuídas apenas 189 insígnias, fazendo com que a época de maior distribuição se tornasse o longo governo de D. Pedro II, com um total de 14.284 honrarias relacionadas à Imperial Ordem da Rosa concedidas. Fato curioso é que, com exceção dos dois imperadores, apenas o Duque de Caxias foi grande-colar da Ordem durante sua vigência. Outra grande personalidade brasileira condecorada com a Ordem foi Machado de Assis que, em 1888, foi condecorado Oficial por D. Pedro II. Chegou mesmo a ser usada, no II Império, como moeda de troca para estimular os fazendeiros a libertar seus escravos.

Mesmo a república teve que se curvar à beleza da Ordem, ao inspirar-se nela para a criação da Ordem Nacional do Mérito, porém, retirou-se a coroa e substituiu o medalhão central pela esfera armilar.

Placas da Imperial Ordem da Rosa à esquerda e da atual Ordem Nacional do Mérito à direita (Acervo do Museu de Valores do Banco Central do Brasil, Brasília)

De uma beleza exuberante, a Imperial Ordem da Rosa surgiu com a ideia inicial de D. Pedro I em resguardar a memória de seu segundo casamento, ao mesmo tempo em que honrava cidadãos merecedores pelo Amor e Fidelidade à Pátria.

Dom Luiz de Orleans e Bragança portando o colar da Imperial Ordem da Rosa e seu irmão Dom Bertrand portando a banda. (Acervo da Casa Imperial do Brasil)

Ostentar esse símbolo de honraria, que distinguiu tantos bons brasileiros, em seu peito, na lapela de sua camisa ou mesmo como um elemento decorativo em algum cômodo de sua casa ou escritório, lhe abrirá portas para contar um pouco mais sobre a História do Brasil aos seus amigos e familiares. Sabemos que uma história tão bonita não pode ficar presa nos livros e documentos históricos, ela deve ser contada, sentida e vivida!

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Fontes:

BARMAN, Roderick; YAMAMOTO, Sonia (trad.). Imperador Cidadão. – São Paulo: Editora Unesp, 2012.

MARQUES, Poliano Luiz. Ordens Honoríficas do Brasil. – Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1943.

LUSTOSA, Isabel. D. Pedro I. – Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2006.

SOUSA, Octávio Tarquínio de. A vida de D. Pedro I. – Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.

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