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“O Reino que não era desse mundo”

Você sabia que o instituto de formação dos diplomatas no Brasil leva o nome do Barão do Rio Branco? Já parou para pensar o motivo? Você sabia que José Maria da Silva Paranhos Júnior é contemporâneo ao período Imperial? “O Barão”, como é conhecido nas fileiras diplomáticas até os dias de hoje, e declarado monarquista, ostentou seu título nobiliárquico mesmo durante a república, onde exerceu diversas funções político-diplomáticas. Assinava “Rio Branco”, também, em homenagem ao seu pai, o Visconde. O dia do seu nascimento – 20 de abril – é considerado o Dia do Diplomata, e é nessa data em que os neo-diplomatas, formados no Instituto Rio Branco – órgão do Ministério das Relações Exteriores – são investidos no rol do Itamaraty.  Mas, afinal, o que é diplomacia?

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Diplomacia é a ciência e conjunto de conhecimentos e práticas que envolvem as relações de interesses de umas nações com as outras. Em suma, é ela que procura resolver conflitos entre os países, sem que ocorra a utilização de retaliações políticas, econômicas ou militares.

Respectivamente: Passaporte Imperial de 1852 e passaporte da república de 1919 pertencente a Santos Dumont.

Em tempos que o Brasil fora chamado de “anão diplomático” pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Ygal Palmor, mesmo sendo “um gigante econômico e cultural” em 2014, percebemos o quão pequeno somos ao compararmos com a habilidade diplomática e o respeito de outrora, na Era Imperial.

Passaportes brasileiros em suas três últimas versões.

São considerados grandes nomes da diplomacia brasileira o Patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva (1763 – 1838), Duarte da Ponte Ribeiro (1795 – 1878), José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco (1819 – 1880), além do Barão (1845 – 1912); entre outros.

Respectivamente: José Bonifácio de Andrada e Silva e Duarte da Ponte Ribeiro

Respectivamente: O Visconde e o Barão do Rio Branco

A atuação da diplomacia Imperial brasileira em situações importantes como na Independência da Nação e seu reconhecimento pelas potências mundiais; na autonomia de atuação externa do país; nas questões de definição das fronteiras com as diversas repúblicas sul-americanas; na atuação pelo fim do regime escravista; na pacificação do Uruguai quando esteve em guerra civil; na aproximação entre Brasil, Uruguai e Argentina, permitindo a criação da Tríplice Aliança; na atuação pela pacificação e reconstrução do Paraguai após o maior conflito da história da América Latina (Guerra do Paraguai); na consolidação dos objetivos estratégicos brasileiros na região do Prata; entre outros casos, demonstram como o Brasil, enquanto Nação, deu importantes passos para se tornar um país respeitado internacionalmente por sua diplomacia na época imperial.

Tão importante quanto esses grandes nomes da diplomacia imperial, foi o próprio Imperador D. Pedro II. Através de todo seu grande prestígio social ao redor do mundo, o imperador foi responsável por elevar a importância e o reconhecimento do Brasil na segunda metade do século XIX.

Um fato notório que vale lembrança foi a famosa Questão Christie, quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com a poderosa Inglaterra da Rainha Victoria. A questão foi arbitrada, na época, pelo Rei dos Belgas, Leopoldo II, que acabou dando razão ao Brasil. Mesmo alguns importantes políticos britânicos saíram em nossa defesa, entre eles Cobden e Bright, Fitzgerald, Osborne, Roebuck, Bramley Moore, Lord Brougham, Lord Malmesbury, Sir Hugh Cairns e Lord Salisbury, então Lord Cecil.

O Imperador soube receber as desculpas oficiais do governo britânico e da Rainha Victoria, na figura do embaixador Edward Thornton que, após reverências e desculpas, entregou-lhe a carta da Rainha. As relações diplomáticas foram retomadas, tendo o Brasil saído, definitivamente, como um gigante diplomático respeitado.

Dom Pedro II e sua comitiva no Egito em 1871 – Acervo da Fundação Biblioteca Nacional

Grande parte do prestígio do Imperador D. Pedro II vinha de seus importantes e constantes contatos com instituições e personalidades científicas, escritores e intelectuais ao redor do mundo. Suas viagens pelos continentes contribuíam para que o Brasil, na figura do seu Chefe de Estado, se tornasse mais conhecido e respeitado no exterior.

Um passaporte que ostente, em sua capa, o brasão da Era mais gloriosa que nossa Nação já viveu, pode ser o primeiro passo para despertar a curiosidade de outras pessoas e iniciar uma conversa sobre como aquele símbolo já foi respeitado mundo afora.

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Fontes:

NABUCO, Joaquim.  A Guerra do Paraguai, Editorial de Belgrano, 1977.

LYRA, Heitor. História de Dom Pedro II. EDUSP/Itatiaia, SP. 1977, vol. 3.

G1.com

Senado Federal

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